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Coluna: Os vários tons de Britney Spears – do mito à mortalidade

  • 7 de dezembro de 2018

18 de outubro de 2018. O “exército” mais pop do mundo se concentra para mais um grande anúncio do ícone que faz parte da vida de milhões de sonhadores há 5, 10, 15 e, no meu caso, 20 anos. É loucura pensar em quanto tempo se passou desde aquele primeiro single, aquele clipe, aquele lápis batendo na carteira, aquele primeiro lugar no saudoso Disk MTV.

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Britney Spears prepara o novo capítulo de sua jornada artística, mesmo que ele não seja tão novo assim. Afinal, os últimos cinco anos foram de raízes fincadas na Cidade do Pecado, em um espetáculo que trouxe alegria a fãs do mundo todo, mas também paz e serenidade à própria, depois de muito tempo com 200% de dedicação à indústria do entretenimento, mesmo sem o retorno na mesma proporção.

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Tive a bênção (para mim, vai além de apenas sorte) de viver na mesma época dela, de acompanhar todas as eras, todas as conquistas e derrotas, os encontros e desencontros, os risos e as lágrimas. Voltando a fita (sem trocadilhos!), lembro de um domingo chuvoso em 2000 quando o clipe de “Oops!…I Did It Again” estreou no Planeta Xuxa, de ficar acordado até de madrugada esperando a performance de “Slave” no VMA 2001 tendo aula na manhã seguinte, do beijo… ah, claro que me lembro do beijo no VMA de dois anos depois – um escândalo à sociedade da época…

É claro que compartilho de muitas frustrações dos fãs mais recentes. Cadê clipes? Cabelos? Performances elaboradas? Cinco singles do álbum (sim, isso já foi real/oficial um dia)? Mas, sabe, hoje entendo o porquê de nada disso estar mais presente.

Nossa heroína ainda está lá, mas hoje ela é aquela mulher que a menina de 2001 ainda não se tornara. Não vou dramatizar citando o “preço da fama”, as fraturas e torções, os caminhos tortos entre 2004 e 2007. Ressalto, então, as nuances que nossa protagonista destacou na carta do álbum Britney Jean: a mãe e amiga. É impressionante ver Sean e Jayden adolescentes e me encho de orgulho ao perceber que se tornaram meninos fortes e criados cheios de amor e compaixão daquela que sempre os colocou em primeiro lugar.

O fenômeno Vegas é amplamente criticado. Confesso que também torci o nariz à gestão do produto Spears, principalmente com a (não) divulgação do “BJ”. No entanto, após assistir ao documentário “I Am Britney Jean”, compreendi a loucura que foi aquele período. Os quatro meses de seleções e ensaios pro show, finalização de álbum, gravação de clipes, mais ensaios, viagem a Londres e a estreia foram surreais. E, mesmo assim, o show foi o sucesso que todos vimos.

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Veio a era Glory, a renovação do show e todos queriam algo novo, uma turnê, mais músicas novas… O que não nos perguntávamos era se Britney estava bem, se estava com a mente e corpo sadios, em paz e satisfeita com o caminho percorrido.

O título lá em cima nos remete exatamente a este ponto. Hoje, 2018, estamos às margens de uma nova residência em comemoração aos 20 anos de …Baby One More Time e devemos, sim, celebrar juntos, mas nos termos dela, e não dos poderosos que já ditaram cada passo e a jogavam em agendas mirabolantes (lembra dela falando disso no carro no especial “In The Zone & Out All Night”?). Essa Britney que hoje vemos conseguiu mais controle de sua vida profissional, mesmo que ainda não tenha se desligado totalmente dela (a tal “aposentadoria” já mencionada algumas vezes). Não serei hipócrita de jogar a carta “aceita ou surta”, é claro que eu queria mais. Porém, ao guardar a idolatria na gaveta, fica mais fácil curtir a nova fase e prestigiar o que lhe traz felicidade.

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“Domination”, o Show

Como não poderia deixar de ser, o anúncio da nova residência chegou em meio a muitas especulações e expectativas. Críticos de música e fãs do mundo inteiro se perguntavam o que aconteceria em toda aquela estrutura montada em frente ao Park MGM, o novo lar de Spears em Vegas.

Os ingredientes do evento saltaram aos olhos: tapete vermelho, projeções gigantescas, um megamix exclusivo (o que foi Criminal com Piece Of Me???), dançarinos, fogos de artifício e centenas de fãs reunidos à espera de Britney, que emergiu sorridente de uma plataforma, deu autógrafos e passou pela multidão sem dizer nada, aguçando ainda mais a curiosidade de todos.

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Nos meios de comunicação especializados, as críticas foram diversas – positivas e negativas. Muitos queriam performance, discurso, um pocket-show(!); outros se contentaram com a volta do ícone e não veem a hora de fevereiro chegar. Em suma, a pergunta é uma só: qual é a natureza dessa “dominação”?

É claro que uma nova residência é uma zona de conforto para Britney, ainda mais pelo fato de que ela terá o maior cachê dos residentes: US$ 500 mil por show, batendo o recorde detido por Celine Dion, com US$ 476 mil. Porém, consideremos alguns pontos.

Ver aquele sorriso com frequência, os vídeos dela malhando (lembra de quando ela não podia ao menos ter um celular?), os filhos no esporte, isso não tem preço. Tudo prova que, abusando muito do clichê, ela está mesmo mais forte do que ontem e, no fim, a admiração e o reconhecimento estarão aqui até o último fechar das cortinas, esteja ela no palco ou na Louisiana, na vida bucólica que sempre quis ter.

“Vegas é um lugar tão profundo. É um lugar de aventuras emocionantes.
Eu fico empolgada.” (SPEARS, 2013)

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